TEIXEIRA DE FREITAS BA: Coeficiente eleitoral: um cálculo nada democrático
Coeficiente
eleitoral é um cálculo aplicado ao número de votos válidos para
definir quais os candidatos ocuparão os cargos do legislativo.
Segundo este coeficiente, os votos pertencem ao partido, e não ao
candidato.
Tentando
explicar, vamos a um exemplo.
Imaginemos
uma cidade com 100.000 eleitores para 10 vagas de vereador. Neste
caso, são necessários 10.000 votos para eleger um vereador.
Agora
suponhamos que existam três partidos disputando as eleições na
cidade (por partido, entendamos também as coligações de partidos)
o partido A, B e C. Finalmente, para completar o quadro do
exemplo, somados os votos de todos os candidatos do PA, foram
apurados 40.000 votos, para o PB 30.000 e para o PC 30.000. Sendo
assim, o PA tem direito a 4 vagas na câmara, o PB 3 vagas e o PC 3
vagas, que serão dadas aos mais votados do partido.
Agora
começa a mágica. No PA o mais votado teve 3.000 votos, e ocupara a
primeira das 4 vagas que o partido conquistou, mas o quarto mais
votado do PB, que teve 5.000 votos não será eleito, porque o
partido só é “dono” de 3 vagas. Incrível não é? Esta lei
possibilita que o mais votado fique de fora e o menos popular seja
eleito, e os partidos políticos administram bem isto. Já dá para
imaginar porque ninguém se esforça para divulgar esta aberração
legal para a população.
Agora
você entende como é que corruptos notórios estão sempre sendo
reeleitos, se quase ninguém vota neles. É simples, eles têm a sua
panelinha de sanguessugas que estão sempre pegando um carguinho aqui
e acolá, e que votam sempre neles para poder garantir a mamata, isto
garante que eles sejam os mais votados no partido. Então começam a
recrutar alguns laranjinhas, dentre os quais nem sempre são gente
ruim, mas na maioria desinformados, tais como líderes de
comunidades, de favelas, professores, associações e outras pessoas
populares, que por serem bem intencionadas, gozam de popularidade e
credibilidade das pessoas ao seu redor. A maioria consegue angariar
200, 300, e até 1.000 votos, não mais que isso, mas serve para
formar volume. Ensinam a eles a difundir a ideia: “-Votem com o
coração, em quem você acredita que merece, mesmo que você não
acredite que ele possa ser eleito.” E quanto a contestação de que
aquele corrupto faz parte do mesmo partido, eles têm a resposta na
ponta da língua: “-Sempre terá uma maçã podre, mas eu estou
entrando é para sanear isto.”
Se você não tem conhecimento destes cálculos malucos, até acredita e vota no seu amigo, sem saber que o seu voto beneficiará justamente quem você acha que não merece.
Se você não tem conhecimento destes cálculos malucos, até acredita e vota no seu amigo, sem saber que o seu voto beneficiará justamente quem você acha que não merece.
Pois
é, caro leitor, saber votar não é só escolher um bom candidato, é
saber escolher um bom candidato em um bom partido.
No
Brasil não temos a cultura de observar a ideologia dos partidos,
encaramos tudo apenas como uma legenda ou um rótulo, sem
interferência nos resultados, quando na verdade deveríamos observar
quais as propostas, as posturas, as tendências, ou seja, a ideologia
dos partidos, ou corremos o risco de continuar elegendo, sem saber
como, corruptos cujo mal caráter é do conhecimento de todos.
Em
algumas cidades do extremo sul como Alcobaça, Caravelas, Mucuri e
Teixeira de Freitas aconteceram esse jogo sujo do coeficiente,
vejamos alguns exemplos:
Teixeira
de Freitas: os exemplos mais prolixos foram os vereadores eleitos
como: Milton Resende 901 votos, Miro 876, Joanilton 864, Pedrão 844,
Gilberto 810 e Ariston 690. Todos eles tiveram menos votos do que
dois suplentes exemplos: Bernardo Cabral 963 votos e Gel Lopes 915.
Ainda tem alguns desses vereadores eleitos que conseguem ter menos
votos que o candidato Genivaldo Bispo que aparece com 890 votos.
Em
Alcobaça ao avaliarmos observamos que o coeficiente entra de uma
maneira mais injusta:
Os
vereadores eleitos nessas eleições como: Adilson Volejo 267 votos,
Marcinho do Hospital 260, Almir Filho 244, Aroldo 167 e Marinalva 167
tiveram menos votos do que os suplentes: Julinho 318 votos, Bichado
285 e Zenildo Ramos 269.
A
cidade de Caravelas aparece com outros exemplos: os vereadores
eleitos Aldicélio 192 votos e Professor Sargento Watson 183 votos
tiveram menos votos que os candidatos Marquinhos da Viola 263 votos e
Rosemberg 258.
Prado
também fez vítimas do coeficiente: os vereadores eleitos Paulo
monte 267 votos e Robertinho 329, tiveram menos votos que os não
eleitos Rogério 427 votos e Coí Cantor 325.
A
vocês eleitores esse foi um estudo que fizemos das eleições 2012,
então na próxima pense nisso, peça desculpas aquele seu amigo bem
intencionado, mas que está coligado a um bandido, preste atenção
também nas coligações, elas podem denunciar quais as reais
intenções dos partidos envolvidos.
Não
vote com a emoção. Estude com critério as possibilidades e vote
com consciência. Afinal, não existe outro caminho para
transformarmos este país num lugar sério e bom para se viver.
Por:
Antônio José e Joris Bento/PORTALN3
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